
Já vai fazer um mês que pisei nesse continente , nesse pais, nessa ilha. Um ilha vulcânica, com praias negras. Hoje sai pela primeira vez de dia do bairro Sipopo e fui com um grupo de médicos e enfermeiros dar uma volta pela ilha. Interessante.... parece que revivi momentos de guia no ceara fazendo a “round trip” com holandeses...estava dentro de um ônibus com estrangeiros falando um idioma que não entendo e fotografando casas e lugares de extrema simplicidade e muita pobreza. E boquiabertos quando deparávamos
com lugares de extremo verde. Eu parecia já ter visto esse lugar antes, mas com um detalhe diferente, ao invés de engenho de cana d açúcar tinham engenhos de cacau. As mulheres lavando as roupas nos rios, ou melhor, poças de água marrom, as crianças, varias em cada casa, mortas de felicidade ao ver o ônibus passar....isso era igual. Ruas de terra, casas de um andar com varanda na frente, portas abertas... A vegetação puxava mais pras montanhas da Serra de Baturité, muita banana e mamão.
Entre vastos campos verdes um e outro povoado... Chegamos em um, Riasta, que estava havendo um casamento, fomos convidados para entrar e tivemos o pedido de não tirar fotos. Nesse vilarejo vi, pela primeira vez uma igreja igual as casas que a cercam, igual em material de construção , cor e tamanho, era simplesmente uma casinha de madeira pintada de branco com uma cruz na entrada.


Passamos o dia dando voltas, descendo do ônibus , parando em mirantes, em bancas de frutas (fui eleita para discutir o preço ) e na praia de areias brancas. Bom areias branca so no nome. Em terra de cego quem tem um olho é rei, pois é, a areia era marrom....
Voltando para o Sipopo, onde estou, passamos por Malabo 2, uau, que contraste. É uma parte da cidade completamente nova e extremamente moderna . muito vidro azul, tipo predios da Berrine em São Paulo ou os novos da marginal Pinheiro. Varias, inumeras construções em andamento e outras recém acabadas de mega predios de empresas de petroleo e energia.
Depois desse visual , ao chegar de volta à minha atual casa, achei a construção do hospital relativamente simples....
14/05 22:55
Voltando ao dia a dia... à vida entre dois povos completamente diferentes. Diferentes entre si e diferentes de mim, de meus hábitos. Diferentes em idiomas, ambos com um idioma que não entendo. Hebreu e fang. Hebreu, quem sabe um dia, fang, nem pensar!
Não sabendo os idiomas dos dois povos com os quais trabalho, agente se vira com os que sabe. Esse desafio de troca de idiomas sucessivamente esta sendo vencido. Menos um desafio, menos um obstaculo entre tantos
Acabei
de decidir uma coisa: OBJETIVO 1 – voltar ao Brasil falando o espanhol fluente
e colocar uma bandeira a mais em minha carteira de guia. Haha, não tinha
pensado nisso. Estou estudando o hebraico também, mas longe, muito longe de
pensar em falar fluente a ponto de colocar uma bandeira. Cusro de espanhosl, sim, 4 horas por semana.
Agora não falto mais
16/05 0:51
Hoje fui dar uma volta de
dia pela cidade de Malabo. Pela parte mais antiga.Não posso dizer que achei
bonito. O palácio do
governo é uma mistura de estilos, enorme, grandioso, imponente. Talvez bonito
seja o Sofitel que usou uma antiga construção, antiga que digo é uns
100 anos, e fez um hotel presidencial com estilo. A vista para o mar tem um
porto de petróleo. As casas são marcadas pela arquitetura espanhola, com
uma forte influência árabe. Nada disso pode ser fotografado. Alias, quem
pensava em vir me visitar sinto informar, aqui não há visto para
turista, somente para quem vem trabalhar
22/05 10:35 _ já em Madri, sentada no aeroporto, esperando pra embarcar
Da mesma maneira que Malabo entrou em minha vida de uma
hora pra outra também saiu.
Na noite anterior que fui dar a volta na cidade,conversando
com uma amiga que esta rm Londres descobri que estava, quase que precisamente,
no ponto zero do mundo, na junção da linha da equador com o meridiano de
greenwich. Mais um ponto bizarro dessa historia.
Talvez por ter falado com muitos amigos via skype na noite
anterior dormi muito bem, tive ótimos sonhos e acordei verdadeiramente animada
e acreditando que estava começando a me adaptar à situação na qual me
encontrava, jefa de mantenimiento, dentro de um campus fechado, trabalhando 7
dias por semana. Saberia gerenciar. Mas quando voltei da cidade vi que
estava sendo controlada mesmo via câmera passo a passo. E senti uma cobrança superior àquela que me deixaria
permitir.... Fora querer que eu passe a ser completamente vistoriada, que eu
viva o trabalho e sob pressão exigiam
que eu agisse de mesma forma com meus subalternos. Tentei entrar nesse jogo,
nesse novo perfil pois afinal era tudo um desafio. Mas não posso lutar contra
minha natureza. Isso não durou nem uma semana. Resumindo , em uma ano de
existência que tem o hospital, sou a 4° pessoa que desiste do cargo. Talvez
eles deveriam ver que tem algo errado...
E no mais, quem disse que o negro não é racista? O PREconceito
é muito forte. Embora compreenda que
eles tenham varias razões pra tal , não sei lidar com isso.( assim como
também não aceito que alguém mata por viver ao lado de criminosos, posso tentar
entender, mas não aceitar) A maior defesa é o ataque e me sentia atacada
constantemente. Não por todas, com certeza.
Sendo já livre e com data de partida comecei a ver tudo
aquilo com outros olhos. A praia ficou divertida, alias depois de um mês foi
meu primeiro dia completamente livre, sem cobrança . Volta de jet sky,muito
sol, muito nado, muitas conversas.... Senti a inveja branca de muitos por me
verem livre. Comecei a ver uma coisa que não queria ver antes, a tristeza no
olhar de muitos, de muitos olhares perdidos, a vontade de muitos que o tempo
passe, que atinjam um ano de contrato e voltem tranquilos e bem remunerados
para sua terra..As perguntas, “sera que vale à pena, sera que somos tão bem
remunerados assim, sera que isso paga o tempo perdido la dentro, sera que
conseguirei ficar uma ano???” são sempre feita por todos, constantemente,
diariamente, queria mesmo voltar.
Não poderia mais mesmo ficar la onde a corrupção é 10
vezes mais forte que aqui, onde os negros se ofendem que os brancos tiram foto
mas ficam tirando da gente na praia, onde a policia chantageia , ameaça em troca de dinheiro. Pediram dinheiro
pro medico que pegou avião comigo, e porque? Só porque encontraram uma mascara de
mergulho em sua mala. Paguei 30 mil cefas (60 US) pra não me segurarem no
aeroporto pois não tinha em mãos o visto de entrada ( que ficou com eles quando
cheguei),
Estava ontem vendo a televisão local, ninguém fala
olhando pra câmera, só pra o chão.....
Para continuar por la acho que precisaria fazer um curso de psicologia
Ser guia é uma dadiva. Isso eu sempre soube. Adoro
trabalhar com gente feliz, realizar sonhos, participar de descobertas.
“mesmo com tantos motivos pra deixar a vida como esta,
nem desistir nem tentar, agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa”.
Queria muito pode ter ido direto para Europa, ou melhor,
ficar nela pois cá estou, mas não tinha como alterar o bilhete...Parece que é
hora de voltar pro Brasil e espero do fundo do meu coração que ainda esse ano
faça uma postagem de um novo destino que tenho em mente para visitar:
Israel.... Acol Vach!!!!!